sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brasil vai testar eficiência de placa solar

São Paulo, 17/06/2008
Laboratório na USP será o primeiro do país a avaliar durabilidade e consumo de equipamentos que usam luz do sol para gerar energia

OSMAR SOARES DE CAMPOSda PrimaPagina

O Brasil vai poder testar a eficiência das placas solares usadas para gerar energia elétrica. O primeiro laboratório brasileiro para avaliar o consumo de energia de equipamentos desse tipo que transforma radiação solar em eletricidade, será inaugurado nesta quarta-feira (18) na USP (Universidade de São Paulo).

Os equipamentos que se saírem melhor nos testes ganharão um atestado de qualidade do Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), da Eletrobrás. O "Selo Procel de Economia de Energia", como é chamado, identifica os aparelhos mais eficientes e, com isso, estimula a fabricação de produtos que consomem menos eletricidade. Eletrodomésticos como geladeira, ar-condicionado e lâmpada já recebem o selo.

A estrutura a ser inaugurada na USP, o Laboratório de Etiquetagem de Sistemas Fotovoltaicos, está equipada com um Simulador Solar, importado da Alemanha, que faz uma simulação artificial dos raios do sol para testar a eficácia dos conversores. O local conta ainda com uma câmara climática, que vai testar a degradação do material ao ser exposto ao sol, avaliando a durabilidade de painéis e células fotovoltaicas. Os equipamentos custaram R$ 340 mil.

"Agora, vamos ter condições plenas de certificar equipamentos de geração fotovoltaica", afirma o chefe da divisão de suporto técnico do Procel, Emerson Salvador. "Vou saber quais equipamentos que geram mais energia e se o material empregado também é de qualidade, ou seja, se a vida útil dele vai ser mais prolongada."

O laboratório, por enquanto, não avaliará as placas solares que aquecem água de chuveiro, mas apenas os sistemas que abastecem imóveis com energia elétrica — usados principalmente em comunidades afastadas das redes de eletricidade e com poucos moradores, nas quais não é economicamente viável estender uma linha de transmissão. Situações como essa são especialmente comuns na Amazônia.

O laboratório foi montado no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e é apenas o primeiro de seis previstos para serem instalados em São Paulo até outubro e que integram o Projeto de Capacitação Laboratorial, coordenado pela Eletrobrás por meio do Procel. No total, serão investidos R$ 1,8 milhão, proveniente da Eletrobrás e parceiros como o GEF (Global Environment Facility), o Banco Mundial e o PNUD.

"A idéia é expandir o selo para outros produtos e fortalecer outros que já existem", afirma Salvador. Nos novos laboratórios, todos certificados pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), serão testados televisores, aquecedores elétricos, compressores industriais e outros equipamentos que consomem energia elétrica. Dois laboratórios ficarão na União Certificadora para o Controle de Conformidade de Produtos, no bairro do Jabaquara. Neles, vão ser realizados ensaios em lâmpadas, reatores, chuveiros e torneiras elétricos e até sistemas de hidromassagem.

Após 20 anos, índios voltam a extrair látex

São Paulo, 20/06/ 2008

A queda no preço da matéria-prima da borracha é o motivo apontado para que os rikbaktsa terem ficado tanto tempo longe de seringueiras

OSMAR SOARES DE CAMPOS da PrimaPagina
Disponível em: http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=2971&lay=mam

Uma comunidade indígena distribuída por 34 aldeias e 400 mil hectares no noroeste do Mato Grosso está retomando, depois de duas décadas, a extração de látex em seringueiras nativas da região. Beneficiados por projeto co-gerido por representantes da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, da Petrobras, da Michelin e do PNUD, os rikbaktsa esperam que haja expansão do número de aldeias na reserva, mais oportunidades de emprego para os jovens e uma renda fixa no período de seca — nos primeiros meses do ano, os índios concentram-se no recolhimento da safra de castanha-do-brasil.

As atividades de retirada da matéria-prima da borracha já começaram. A dificuldade de encontrar compradores e a queda do valor do látex, com a competição internacional, são os motivos apontados para que os rikbaktsa e outras comunidades da região tenham ficado tanto tempo afastados das seringueiras. Por meio de parcerias estabelecidas pelo Projeto de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade das Florestas do Noroeste de Mato Grosso, no entanto, os índios receberam treinamento e material necessários para tornar a atividade novamente viável.
Mas a principal engrenagem para que a extração fosse reativada foi um acordo fechado com a Michelin do Brasil, que se comprometeu a pagar o maior valor praticado no Mato Grosso pelo látex recolhido pelos índios. A expectativa é que os rikbaktsa ganhem R$ 2,10 pelo quilo da matéria-prima.

As atividades extrativistas têm até o momento 170 famílias envolvidas. Com materiais fornecidos pelo projeto, os índios já abriram 10 mil pés de seringueiras nativas e estão preparados para abrir mais dez mil. A expectativa é de que outros 20 mil árvores sejam usadas na extração do látex nos próximos meses.

Como o trabalho está em sua fase inicial, ainda não há estimativas sobre a quantidade da matéria-prima que vai ser retirada nesta nova fase de extração na reserva. Mas o número deve superar o de 20 anos atrás, quando os índios tiravam 8 toneladas de látex todos os meses. Em relação à renda obtida por família, envolvidos no projeto apostam em valores que superem R$ 800 por família.

"Números ainda não-oficiais com que estamos trabalhando dão conta de uma renda entre R$ 1.200 e R$ 1.500 todo mês", afirma engenheiro agrônomo João Manoel Peres, coordenador local do projeto Petrobras Ambiental – de Adversários a Parceiros, que é um dos patrocinadores da iniciativa. "É uma previsão otimista, mas muito responsável."

A parceria entre índios, governo do Estado, Petrobras e Michelin foi estabelecida no ano passado, mas só foi possível distribuir o material para extração nos últimos três meses. "Estamos falando de 34 aldeias e, da primeira à última, aproximadamente 400 quilômetros. Não seria possível dar treinamento e distribuir material a todos em uma semana", acrescenta Peres.

Benefícios permanentes

Os rikbaktsa estão encarando a possibilidade de voltar a extrair látex da floresta no Mato Grosso como uma grande oportunidade para geração de renda, expansão do número de aldeias e oferta de trabalho para os jovens, tudo isso dentro de uma proposta que garante a conservação e o uso sustentável da floresta.

Nos primeiros meses do ano, os índios têm se concentrado no recolhimento de castanha-do-brasil. "Mas a safra é periódica e, depois, temos de procurar outras atividades para geração de renda", conta o índio Paulo Skiripi, presidente da Associação do Povo Indígena Rikbaktsa. "Acabada a época da castanha, boa parte dos jovens das aldeias saía de casa para trabalhar como peão em fazendas. Agora, em vez de fazer isso, eles estão trabalhando na retirada de látex", acrescenta Peres.

"Nossa grande preocupação é manter nossos jovens dentro da aldeia, próximo da sua família, sua cultura e seu idioma, da terra e de sua conservação", afirma Sikiripi. Ele espera que essa parceria traga benefícios permanentes aos rikbaktsa, como a conservação da floresta e a expansão das aldeias da tribo. "Hoje, existem aldeias grandes, com cento e poucas famílias, e aldeias menores e com longas distâncias entre elas. A extração de látex nativo deve expandir também as aldeias e facilitar a fiscalização permanente das terras", completa o indígena.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

E se... a água dos oceanos fosse doce?

Por Ana Paula Chinelli, em: http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_421732.shtml

"Um mar de água doce mexeria com todo o clima da Terra – e com nossa vida também. O planeta teria mais geleiras, poderia abrigar menos pessoas e nós seríamos mais deprimidos. A parte boa dessa coisa toda é que não faltaria água para beber e, talvez, o homem inventasse mais.
As mudanças seriam tão grandes quanto o volume de sais que existe no mar: hoje, se os oceanos secassem, o planeta poderia ser coberto por uma camada de sal com 150 metros de espessura! A maior parte é sal de cozinha (cloreto de sódio). O resto são sais de enxofre, magnésio, cálcio e potássio, entre outros.


O sal é um dos fatores que determinam a movimentação das correntes marítimas – os outros são a temperatura e os ventos. A água do mar com menos sal (menos densa) corre sobre a água com mais sal (mais densa). "Se toda a água fosse doce, provavelmente haveria menos movimentação nos oceanos", afirma o oceanógrafo Belmiro de Castro Filho, da USP.

E daí? O problema é que o Sol aquece a Terra principalmente pela região do Equador. São os ventos e as correntes marítimas que distribuem o calor para os pólos – e o frio para o Equador. A corrente do Golfo (quente), por exemplo, garante que a Inglaterra não seja um bloco de gelo. E a corrente do Peru (fria) permite a boa pesca no litoral do Chile. Com as correntes mais fracas, as zonas frias seriam mais frias e as quentes, mais quentes. Haveria também mais geleiras. "O clima geral da Terra ficaria mais frio e seco", diz a pesquisadora Leila de Carvalho, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP. Isso porque o gelo reflete diretamente a radiação solar – e a Terra é aquecida pelos raios absorvidos pelo solo e pela água.

Um consolo nisso tudo: a ecologista Gisela Shimizu, da USP, acha que o frio, por obrigar as pessoas a ficar em casa sem ter o que fazer, poderia estimulá-las a exercitar a criatividade. Quem sabe, vivendo num planeta mais gelado, o homem pensasse mais.

A TERRA HOJE
ZONA TROPICAL – Entre o trópico de Câncer (norte) e o de Capricórnio (sul).
ZONAS TEMPERADAS – Entre os trópicos e os círculos polares Ártico (norte) e Antártico (sul).
ZONAS POLARES – Além dos círculos polares.


Gelo a perder de vista
A água do mar, salgada, congela a -2 oC. Se fosse doce, congelaria a 0 oC. Por isso, haveria mais gelo no mar. O oceano, que hoje é congelado acima da latitude 70o, passaria a ter geleiras até a latitude 60o. Com isso, a América, Ásia e Europa estariam unidas por placas de gelo, no Pólo Norte. E a Antártida ficaria mais próxima da América do Sul, da Austrália e da África.

O mar vai virar sertão
Mais geleiras significam um oceano com nível mais baixo. Assim, os continentes teriam mais pedaços de terra descobertos, ou seja, seriam maiores. Algumas ilhas submersas emergiriam e outras seriam ligadas a continentes – Indonésia e Japão, por exemplo, fariam parte da Ásia continental. O mar Vermelho secaria completamente.

Marrom da cor do mar
As espécies exclusivamente marinhas não existiriam. Os corais, por exemplo, necessitam dos minerais presentes nos sais marinhos. E as espécies mais coloridas, como certos peixes e invertebrados, são assim para se camuflar nos corais. A vida nos oceanos seria mais parecida com a dos lagos, onde o chão é lodoso. A cor dominante seria, portanto, o marrom.

Aridez na Amazônia
Quando a Terra tinha mais geleiras, chovia mais no deserto do Saara, onde viviam até dinossauros. Isso leva a crer que, num mundo de água doce, o Saara seria mais úmido e teria mais plantas e animais. Por outro lado, a Amazônia é tão frágil e seu solo, tão pobre que a floresta não sobreviveria ao aumento da temperatura no Equador, e viraria um deserto.

Menos comida, menos gente
Com clima geral mais frio e seco, a capacidade de produzir alimentos diminui. O número de pessoas na Terra é limitado pela quantidade de comida disponível, então seria menor. Provavelmente o homem teria desenvolvido mais formas de viver em ambientes gelados e um meio de transporte eficiente na neve, para ir facilmente da Europa à América pelo Pólo Norte.

É 8 ou 80 no clima do planeta
Com menos correntes marítimas, a tendência é que o calor seja menos distribuído. Assim, a região do Equador seria ainda mais quente e as zonas temperadas, mais frias. No geral, as zonas glaciais avançariam até 10o de latitude sobre as zonas temperadas, que encolheriam. Da mesma forma, as zonas tropicais cederiam alguns graus para as regiões temperadas."

Como mudar o mundo

"Dicas para quem já recicla o lixo, mas sente uma necessidade louca de fazer mais
Texto Andressa Rovani, em:
http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_556048.shtml

Planeje

1. Identifique o problema. Para estar motivado a lutar por alguma mudança, é preciso acreditar nela. Apro-funde-se no tema. Ouça outras opiniões e analise se sua posição é consistente.

2. Busque aliados ou pessoas que já lutem por sua idéia. Verifique se ela faz parte dos 8 objetivos do milênio (www.nospodemos.org.br). Se fizer, certamente há quem já defenda essa causa: a ONU.

3. Reúna números e exemplos. E transforme sua trincheira em espaço aberto: monte um site falando sobre o problema e deixe que os leitores contem suas histórias e dividam experiências.
Vá para a rua

4. Amplie sua luta. Com uma base já consistente de dados e histórias, divulgue. Aqui, você pode apostar em um tiro certeiro: o marketing “de guerrilha”, que inclui panfletagem na porta de universidades ou em eventos sobre o tema e distribuição de cartazes em empresas ou nos pontos de tráfego de moradores.

5. Faça-a virar identidade nacional. Com resultados da mudança em mãos, ouça especialistas que atestem a melhoria do local e dêem a ele nova fama. Brasilienses têm orgulho de dar vez aos pedestres no trânsito. Curitibanos adoram dizer que não jogam lixo na rua.

6. Seja criativo. Nada de protestos carrancudos ou passeatas chatas. Há pouco tempo, um grupo da Indonésia protestou contra a poluição do país parando o trânsito com um globo gigante.

7. Proponha uma lei. Levante quais representantes (vereadores ou deputados) têm perfil para se aliar à causa e levar o projeto adiante. Só cuidado para sua proposta não virar picaretagem: lutar pela redução da velocidade no trânsito pode dar espaço à indústria da multa.

8. Alie-se a interesses privados. Se as empresas puderem lucrar com a questão, fica mais fácil. Quer tirar os sem-teto das ruas? Elabore um plano de negócios e ofereça a uma construtora: apartamentos simples e com custo baixo. Todo mundo ganha."

terça-feira, 10 de junho de 2008

Será que isso vai para a reciclagem?

Faça a sua parte!

Especiais / Reciclagem
retirado de: http://www.akatu.org.br/central/especiais/2008/sera-que-isso-vai-para-a-reciclagem
08/05/2008

Será que isso vai para a reciclagem?
CDs, clipes, embalagens de creme dental, ... ainda são muitas as dúvidas das pessoas na hora de separar o lixo para reciclagem


Como já dizia o pai da química, Antoine Laurent Lavoisier nas últimas décadas do século XVIII, em sua conhecida lei da conservação da matéria: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Hoje, no século XXI, a surpreendente quantidade de lixo produzido nas nossas cidades e a consciência de que é preciso reciclar e reutilizar materiais e produtos como forma de promover o moderno conceito de sustentabilidade, faz com que a frase ganhe fôlego renovado e seja novamente entoada como um “mantra”.

Atualmente, são coletadas mais de 140.000 toneladas de lixo urbano por dia no Brasil. Desse total, 60% não têm um destino final adequado, em aterros sanitários, sendo jogados nos chamados lixões. E segundo o Relatório Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2007, da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), o total de lixo gerado nas cidades brasileiras pode ser muito maior. Estima-se que cerca de 10 milhões de toneladas de resíduos sólidos (algo como 20 a 25% do total coletado de lixo urbano) deixam de ser coletados todos os anos, acabando por ter um destino incerto, geralmente, inadequado.

Para se ter uma idéia do que significa esse volume de lixo, apenas no município de São Paulo são geradas cerca de 15 mil toneladas de lixo por dia, das quais 9 mil toneladas são provenientes do lixo domiciliar. Um caminhão de transporte de lixo tem capacidade de carregar 12 toneladas de lixo a cada viagem. Assim, para transportar essas 9 mil toneladas de lixo doméstico produzidas apenas na capital paulista em um único dia, seriam necessários 750 caminhões de lixo que, estacionados um na frente do outro, formariam uma fila de mais de 7 quilômetros.

No entanto, nem todos esses resíduos precisariam ter como fim as latas de lixo. Até 30% dessa montanha de lixo produzidos diariamente nas cidades brasileiras é composta por materiais recicláveis, como plástico, vidro, papel, latas entre outros que, se adequadamente separados, coletados e encaminhados poderiam ser reaproveitados na confecção de novas matérias primas que poderiam ser reprocessadas em processos de reciclagem e usadas na fabricação de novos produtos.

De acordo com dados da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), dos 5.564 municípios brasileiros, 65% já possuem algum tipo de iniciativa de coleta seletiva, seja realizada porta a porta, por meio de cooperativas de catadores, seja pela existência de postos de coleta em locais definidos, organizados pelo poder público ou pela iniciativa privada.

As vantagens da coleta seletiva e da reciclagem são muitas. Além de evitar o desperdício de materiais que ainda podem ser utilizados, ao separarmos nosso lixo e enviarmos o material reciclável para o reaproveitamento nas indústrias, diminui a quantidade de lixo que precisará ser armazenado e tratado pelos serviços públicos municipais. As cidades evitam, assim, ter que investir adicionalmente na construção de aterros e na infra-estrutura necessária para tratar o lixo de maneira correta, de forma a evitar riscos à saúde e ao meio ambiente. O material que é destinado à reciclagem segue para as centrais de triagem e é fonte de renda para as famílias que trabalham nas cooperativas de catadores, um benefício social importante.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB-IBGE, 2000), a maior parte dos municípios brasileiros com população de até 50 mil habitantes destina em média 5% de seus orçamentos para a gestão de resíduos sólidos. Segundo Patrícia Leme, doutora em Educação, bióloga e educadora ambiental do Programa USP Recicla, campus de São Carlos, o consumidor pode contribuir, e muito, para diminuir a quantidade de lixo gerado em sua casa ao aplicar no dia a dia o princípio dos 3 R´s – reduzir, reutilizar e reciclar – acrescido de um primeiro e fundamental conceito, também um “R’’, o do repensar seus hábitos de consumo. “O consumidor precisa repensar seu padrão de consumo e antes de comprar se perguntar: eu preciso mesmo disto? E ainda, quanto tempo este produto vai levar para virar lixo?”, explica a educadora.

Assim, após refletir sobre suas necessidades de compra e estar ciente da importância de levar para casa apenas o necessário, é também importante analisar cada opção de consumo e fazer escolhas que tenham o menor impacto socioambiental possível. Para atingir esse objetivo, a dica é evitar lotar o carrinho de supermercado com produtos descartáveis e cheios de embalagens, cujo destino certo é transformarem-se rapidamente em lixo. Nessa linha de raciocínio, o ideal é escolher embalagens retornáveis ou recicláveis, assim como optar por produtos vendidos a granel.

Já em casa, após o uso dos produtos, cuidadosamente escolhidos para causar o menor impacto possível, chega a hora do descarte. É o momento de pensar na coleta seletiva e na reciclagem dos materiais. A coleta seletiva envolve a separação e envio dos materiais usados que poderão ser reaproveitados, evitando jogá-los fora junto ao lixo comum. Por meio desta ação é possível levá-los novamente para a indústria, após o reprocessamento que permite gerar matérias primas com menor gasto de dinheiro, água e energia do que o que seria gasto no ciclo produtivo a partir dos recursos da natureza.

Assim, a reciclagem é o processo de transformação e reaproveitamento desses materiais coletados. Para que possa ocorrer na prática, dependerá de dois fatores básicos: o tecnológico e o de mercado. O primeiro é bastante objetivo, pois pressupõe que exista um jeito de reutilizar e transformar um determinado material na indústria. Já o segundo fator, por sua vez, é bastante mais complexo. Para a educadora do USP Recicla, as questões de mercado são dependentes principalmente da existência ou não de um sistema municipal de coleta seletiva e da distância que o município está das usinas de reciclagem, de cada material específico. “Em São Carlos as embalagens Tetra Pak são recicladas, pois existe uma indústria em uma cidade vizinha. Mas em Manaus, por exemplo, não são”, exemplifica.

Para saber se um determinado material é ou não reciclado em sua região, Patrícia sugere que o consumidor se informe junto a Prefeitura Municipal ou informalmente junto aos catadores locais. “O consumidor tem um enorme poder de influenciar o mercado. Ele pode se organizar e tentar pressionar o município em que mora para que invista no sistema de coleta seletiva e reciclagem. De modo geral, o consumidor, por meio de seu ato de consumo, tem possibilidades de transformar a realidade para melhor”, sugere.

Para ajudar os consumidores a separarem seu lixo em casa, o Akatu mostra a seguir algumas orientações que facilitam a separação dos recicláveis, em casa ou no trabalho. A elaboração dessas recomendações contou com o auxílio de Patrícia Leme, educadora do USP Recicla, e de Eduardo Ferreira de Paula, Diretor Secretário da Coopamare (Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Papelão, Aparas e Materiais Reaproveitáveis) e do Movimento Nacional de Catadores.

Materiais que devem ser encaminhados para reciclagem

- Embalagens de vidro, garrafas, copos e vidro de janela.
- Cacos de qualquer embalagem de vidro podem ser enviados para reciclagem, mas devem ser protegidos e limpos. “Todo vidro deve estar identificado e ser colocado em caixa de papelão ou embrulhado em jornal, para evitar que alguém se machuque”, ensina Ferreira.
- Jornais, revistas, folhas de caderno, formulários de computador, caixas de papel e papelão em geral, aparas de papel, fotocópias, envelopes, folhas sulfite usadas (dos dois lados) e cartazes velhos.
- Latas de folha de flandres (como lata de óleo, salsicha, leite em pó).
- Latas de alumínio (refrigerante, cerveja)
- Aço (talheres, armações de óculos)
- Embalagem marmitex (limpas)
- Chapas de metal
- Papel alumínio limpo (sem resíduos orgânicos, como restos de comida.
- Materiais feitos em PVC rígido (canos, p.ex.)
- Copos, pratos, potes e embalagens plásticas (como as de detergente, shampoo etc.)
- Tampas plásticas
- Sacos (de leite, arroz etc.)
- Embalagem PET de refrigerante
- CD e DVD são considerados plástico misto, e podem ser enviados para reciclagem.
- Sacolinhas plásticas e o plástico filme, desde que limpos, ainda que “o mercado para esse tipo de material (seja) bem fraco, dificultando o escoamento desse material para a reciclagem”, explica Patrícia.
Tubos de pasta de dente, assim como outras embalagens de produtos de higiene e beleza. “Use até o final, o máximo que puder e então envie para reciclagem”, diz Patrícia.

Canetas esferográficas, separe a parte de fora, a “capinha”, feita de plástico e envie para reciclagem. A carga deve ser jogada no lixo comum.

Pedaços de materiais ou produtos de pequena dimensão (de plástico, papel, etc. ou os de metal, como grampos, pregos, por exemplo), que, como são pequenos devem ser juntados em potes para depois enviá-los para reciclagem – de preferência separando por tipo de material.

Quanto às pilhas, a educadora Patrícia aponta que é preciso repensar a legislação, pois mesmo as produzidas de modo oficial no país e que pela lei atual podem ser jogadas no lixo comum, têm pequenas quantidades de metais pesados. Ao longo de muitos anos, essas pequenas quantidades também se acumulam na natureza e podem se transformar em um grande problema ambiental.
Uma dica para o consumidor é repensar se realmente precisa utilizar aparelhos a pilhas. Nos casos indispensáveis, deve-se optar por pilhas recarregáveis. É fundamental enviar as pilhas usadas sempre para reciclagem, mesmo que a legislação não obrigue a isso no Brasil. “Nos países da União Européia inclusive as pilhas comuns não podem ser jogadas no lixo comum, mas devem obrigatoriamente ser enviadas para reciclagem”, conta Patrícia.

As lâmpadas fluorescentes, da mesma maneira, segundo a legislação brasileira podem ser jogadas no lixo comum, embora contenham mercúrio na forma de vapor, um resíduo perigoso que, no momento em que a lâmpada quebra pode ser liberado para o ar e prejudicar o meio ambiente e a saúde humana. “Muitas empresas e universidades pagam para outras empresas promoverem a descontaminação. Nós , da USP, fazemos isso. Só aqui no campus da USP de São Carlos são encaminhadas para reciclagem 5 mil lâmpadas por ano”, explica Patrícia. O ideal, explica a educadora, seria que os fabricantes de lâmpadas ficassem responsáveis pela sua destinação adequada (descontaminação e reciclagem), já que o descarte desses materiais pode ocasionar contaminação ambiental, assim como acontece com as pilhas. Mas preste atenção, apenas as lâmpadas fluorescentes são recicláveis e não as mais comuns (incandescentes), que não são recicláveis.

Fitas cassete e disquetes têm sua parte exterior feita de plástico, que é reciclável. Mas a fita magnética, interna, ao contrário, não é. Se for possível separá-los e encaminhar o exterior para reciclagem, deve-se fazê-lo.

Materiais que não devem ser encaminhados para a reciclagem.

- Embalagens metalizadas, como as de salgadinho e biscoitos
- Etiquetas adesivas
- Fita crepe e fita adesiva
- Papel higiênico
- Papéis plastificados (geralmente de embalagens)
- Papel de fax
- Guardanapos de papel e lenços de papel sujos (com restos orgânicos, por exemplo, de comida). - Fraldas descartáveis
- Celofane
- Fotografias
- Lã ou esponjas de aço
- Canos velhos
- Espelhos e vidros planos (como os de automóvel ou box)
- Porcelana (pratos, travessas, xícaras)
- Tubos de imagem de TV
- Lâmpadas comuns (incandescentes)
- Materiais de cerâmica
- Cabos de panela.
- Espuma
- Esponja de cozinha
- Isopor: apesar de existir tecnologia para sua reciclagem, na grande maioria das vezes, ela não acontece. O melhor, por isso, é evitar comprar produtos embalados em isopor, assim como em outras embalagens não recicláveis ou de difícil reciclagem.
- A madeira é um material orgânico, mas que não pode ser reciclado.

A coleta seletiva, que envolve a separação e envio dos recicláveis para reaproveitamento industrial, é a primeira parte de um processo complexo. Patrícia explica que a reciclabilidade dos materiais depende tanto da existência de tecnologia, que permita transformar e reutilizar os materiais coletados, quanto de indústrias dispostas a usarem esse material. Portanto, um determinado material, apesar de ser reciclável, pode não ser reciclado por falta de uma empresa que o utilize. A Pesquisadora recomenda que o consumidor que tiver a oportunidade cheque quais os materiais são reciclados em sua região e continue incentivando a coleta seletiva, para que cada vez mais materiais possam ser efetivamente reciclados em sua cidade.

No caso das embalagens Longa Vida (como as de leite, suco, tomate) o consumidor que deseja saber se em sua região já existe quem colete ou comercialize este tipo de material, pode acessar o endereço www.rotadareciclagem.com.br. O site foi criado pela Tetra Pak e trás informações sobre a sua reciclagem em todo o país.

Eletroeletrônicos
O perigo dos eletroeletrônicos.

Segundo o Greenpeace, o lixo eletrônico produzido no mundo em um ano encheria um vagão de carga de um trem capaz de dar uma volta completa no mundo. São 50 milhões de toneladas de lixo eletroeletrônico produzidos a cada ano pela humanidade, composto por computadores, celulares, eletroeletrônicos e eletrodomésticos.

“Na União Européia já existe legislação específica para resíduos eletro eletrônicos que garante que esses materiais terão uma destinação ambientalmente correta. No Brasil, não. Essa legislação européia diz que o consumidor que quiser descartar estes produtos é obrigado a dispô-los em locais específicos que encaminharão o material coletado para destinação correta sem custo adicional para o consumidor”, explica Patrícia.

Algumas entidades que recebem equipamentos e/ou orientam aqueles que querem fazer doações são:

Associação Brasileira de Excedentes
http://www.abre-excedente.org.br
Casas André Luizhttp://www.andreluiz.org.br
Comitê pela Democratização da Informáticahttp://www.cdi.org.br

Exército de Salvação
www.exercitodesalvacao.org.br
Museu do Computadorhttp://www.museudocomputador.com.br

Uma saída para diminuir a quantidade gerada desses perigosos resíduos é utilizar os produtos até o final da sua vida útil e só trocá-los quando for realmente necessário.

Se o aparelho a ser descartado ainda estiver em bom estado, outra possibilidade é doá-lo.
É importante lembrar que maioria dos eletroeletrônicos possui em sua composição metais pesados, como chumbo, cádmio e mercúrio, entre outros, que se manuseados ou dispostos de maneira inadequada oferecem riscos à saúde humana e ao meio ambiente, com perigo de contaminar o ar, o solo e as águas.

No Brasil, algumas empresas já aceitam receber de volta os equipamentos usados produzidos por ela. Por isso, antes de jogar qualquer aparelho no lixo, informe-se junto ao respectivo fabricante se ele recebe o produto de volta. E caso não receba, não perca a ocasião de sugerir que o faça.
Orientações em geral

Todo material que esteve em contato com alimentos ou outros produtos orgânicos deve ser lavado e seco antes de ser separado. Com isso não haverá contaminação dos demais materiais, dificultando seu envio para reciclagem. “O material limpo evita o mau cheiro do lixo e não atrai animais, como ratos e baratas, por exemplo”, explica Ferreira. Claro que existe um gasto de água, mas estima-se que este seja ainda maior para fabricar um produto novo. E a limpeza a ser feita é apenas para tirar o material orgânico e não para “deixar o material brilhando”.

Usar copos e pratos duráveis ao invés dos descartáveis. Estima-se que se gasta mais água para reciclar ou fabricar um produto descartável do que para lavar um durável. O ideal no caso do copo de água, por exemplo, é optar por um durável e lavá-lo apenas à noite, na sua casa, ou no final do expediente.

Para diminuir o volume de lixo doméstico, antes de encaminhar para coleta seletiva, amasse as latas de alumínio e, no caso de garrafas Pet, tire a tampa e “enrole” a garrafa, fechando-a em seguida novamente. E corte embalagens longa vida, dobrando os lados destacados.

Na hora de escolher a forma de separar o lixo, seja em uma única lata de lixo para recicláveis, ou dividindo os diversos materiais recicláveis em diversas latas de lixo, o importante é conhecer antecipadamente o programa de coleta seletiva da sua região. A escolha deve ser aquela que se adeque melhor a este programa e facilite o trabalho de coleta, triagem e envio dos materiais para reciclagem. “Cada consumidor deve analisar como é feita a coleta seletiva em sua região e sabendo para quem vai o material, escolher a melhor forma de separá-lo”, diz Patrícia.

Ferreira, da Coopamare, recomenda, como mínimo, que se separe o lixo em pelo menos dois sacos plásticos: um para os restos orgânicos (de preferência da cor preta); e outro para os materiais recicláveis (preferencialmente azul).

Se você achou muito longa ou complexa essa lista de dicas, fique apenas com esta: “Na dúvida sobre um material, envie para reciclagem”, afirma Patrícia, mesmo correndo o risco de uma parte desse material acabar mesmo no lixo comum.

Mãos a obra! Repense, reduza, reutilize e recicle o seu lixo!

Cresce oferta de madeira certificada

Bastante interessante!

Especiais / Madeira
retirado de: http://www.akatu.org.br/central/especiais/2008/cresce-a-oferta-de-produtos-de-madeira-certificada
13/05/2008

"Cresce a oferta de produtos de madeira certificada
III Feira do setor mostra que existem caminhos para uma Amazônia produtiva e sustentável


Muito além da madeira para construção, hoje são colares, instrumentos musicais e até embalagens de produtos alimentícios e cosméticos que chegam as prateleiras com o selo de garantia de origem da madeira a partir da qual foram produzidos.

A III Feira Brasil Certificado, que aconteceu em São Paulo, nos dias 16, 17 e 18 de abril, teve entre seus 36 expositores, grandes empresas produtoras de papel e celulose, da área da construção civil, fábricas de móveis, gráficas e diversas ONGs (organizações não governamentais).

Christian Ullman, organizador do estande da Mostra Brasil Certificado, esteve presente em todas as edições da feira e conta que houve uma grande evolução desde a primeira, em 2004. “No começo eram apenas móveis feitos com madeira certificada e de maneira artesanal disponíveis para os poucos que se dispusessem a pagar mais caro pelo privilégio”, conta Christian, “hoje caixas e embalagens de papel produzidas a partir da celulose da madeira certificada estão em qualquer supermercado”.

Grandes empresas como Suzano e a Klabin, produtoras de papel e celulose, fornecem embalagens certificadas para os produtos alimentícios da Sadia, associada do Akatu na Categoria Benemérito, e dos cosméticos da Natura, por exemplo. Foi graças a uma parceria entre as empresas Sadia, Klabin e as gráficas Ibratec, Brasilgráfica e Romiti, que foi lançada a primeira linha de alimentos congelados com embalagens certificadas. As embalagens de pratos prontos, pizzas, hambúrgueres, empanados, salgadinhos e toda a linha Miss Daisy da Sadia levam o selo FSC (leia box sobre o selo).

Catálogos

A oferta de produtos de madeira certificada já é tão ampla, que mereceu a confecção de dois catálogos de orientação ao consumidor, ambos lançados durante a feira. O primeiro é o Páginas Verdes - Guia de Compras de Produtos Certificados FSC, desenvolvido pelo FSC – Brasil, com patrocínio do Banco Real ABN AMRO, Parceiro Pioneiro do Akatu. O guia trata especificamente de madeira certificada e ajuda o consumidor final, assim como empresas do setor, a escolher produtos com base na certificação. Edições impressas são restritas, mas o Guia ficará disponível na página do FSC Brasil, no endereço
www.fsc.org.br, em documento pdf.

O segundo catálogo é uma ferramenta on line desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (GVces), com o apoio também do Banco Real ABN AMRO. O Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis permite resgatar informações sobre uma gama maior de produtos e serviços que são considerados sustentáveis segundo critérios definidos pelo GVces. O catálogo pode ser consultado no link
www.catalogosustentavel.com.br. Ambos os guias indicam fabricantes e comerciantes, dando endereços onde os consumidores podem adquirir os produtos apresentados.

Construção

Um setor que marcou presença na Feira foi o da construção civil. Esse é o caso da empresa Ouro Verde Madeiras que há 15 anos está instalada em Rio Branco, capital do Acre. Segundo Cristian Rau Stoltenberg, engenheiro florestal da empresa, toda matéria-prima utilizada para a fabricação de pisos, tacos e decks é originária de áreas de manejo florestal sustentável, “sendo que a maior parcela é certificada pelo FSC”, informa Cristian. A Ouro Verde acredita que chegará a ter 100% da madeira certificada até 2009. A maior parte dessa madeira é exportada para mais de 20 países localizados nos 5 continentes.

Outro caso no setor, é o da Precious Woods Brasil, grupo suíço que atua no país desde 1994. A empresa é especializada em arquitetura de interior, mobiliário para praças e jardins, pontes e construções em geral. Alexandre Rangel, gerente do departamento de negócios acredita que a tendência é de grande e constante crescimento da madeira certificada no setor. Hoje, “quase 100%” da madeira utilizada pela Precious Wood é certificada, segundo informa Jaiordeth Luzeiro, gerente de vendas. Atualmente a empresa exporta 70% da madeira certificada, mas a previsão de seus executivos é que em 2 ou 3 anos, o mercado interno consuma um percentual de 50%.
Crescimento

No Brasil, já são mais de 5 milhões de hectares de florestas certificadas pelo selo internacional FSC. O país possui o maior número de empreendimentos certificados na América Latina. De acordo com o diretor da Ong Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, hoje já são 1,2 milhão de pessoas empregadas na cadeia florestal de madeira certificada, no Brasil. Segundo os dados do FSC Brasil, atualmente 207 empresas possuem a certificação para a cadeia de produção e comercialização dos artigos de madeira (cadeia de custódia). Há três anos eram apenas 105 empresas certificadas. O FSC emite dois tipos de selo para os produtos, um que atesta que o material é 100% certificado, e outro, chamado selo misto, que garante que no mínimo 70% do material utilizado na fabricação tem o certificado.

Procurar conhecer a origem da madeira usada na fabricação dos mais diversos produtos, é fundamental para que o consumidor final ajude na preservação das áreas de florestas, especialmente da Amazônia. Segundo Adriano Trentin Fassini, Superintendente da Cooperfloresta, Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários, entidade que reúne 87 famílias de seringueiros acreanos envolvidos na produção de madeira certificada da Amazônia, “comprar madeira certificada é a garantia de que o manejo (das áreas de florestas) foi feito de modo correto”.

O que é o selo FSC

O selo FSC, da sigla em inglês Forest Stewardship Council, traduzido como Conselho de Manejo Florestal, certifica áreas e produtos florestais em mais de 79 países. Entre 2004 e 2008, a área certificada pelo FSC mais do que dobrou, e passou de 40 milhões para cerca de 103 milhões de hectares de florestas certificadas e 6 mil certificações de cadeia de custódia ao redor do planeta. Roberto Waak, representante do FSC Internacional, em seu pronunciamento durante a abertura da III Feira Brasil certificado, declarou que a área internacionalmente certificada já representa cerca de 8% do total mundial de florestas.

A tendência indicada pelos números acima, revela que a certificação pelo FSC vem ganhando cada vez maior destaque no mundo, o que pode transformá-la em um importante pré-requisito para a compra de madeira. O selo já é exigido internacionalmente, notadamente em países da Europa Ocidental, mas também avança em outras regiões. Lisa Murphy, diretora do FSC Internacional, conta que a certificação vem ganhando uma nova dimensão nos Estados Unidos graças aos chamados green buildings ou construções verdes. Dentre os vários critérios que contemplam essas construções está a da origem da madeira.

O FSC utiliza 10 princípios, que determinam normas ambientais, sociais e econômicas que devem ser seguidas à risca para que ocorra a certificação Os procedimentos devem ser adotados tanto por produtores, responsáveis pelo Manejo Florestal, como ao longo da chamada cadeia de custódia, que inclui o processamento e a comercialização de produtos de madeira. Dessa forma, o processo de certificação permite conhecer e garantir a qualidade do produto desde a floresta até as “prateleiras”. "

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Cidades sustentáveis. Será?


Notícias

"Cidades sustentáveis?
12 Oct 2007

Existem, hoje, diversas experiências em desenvolvimento no sentido de viabilizar habitações e prédios sustentáveis. Em São Paulo, a indústria da construção civil começa a utilizar o marketing do “green building”, um termo em inglês bem ao gosto dos publicitários, mas que, raramente traduz, na prática, o conceito da “construção verde”, de acordo com o jornalista e ambientalista André Trigueiro, da Globo News
Se habitação sustentável ainda não passa de alguns experimentos, o que dizer de cidades sustentáveis? E é justamente isto que um grupo de pesquisadores e estudantes de pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul persegue, sob o comando do professor Miguel Aloysio Sattler.
Apesar de se dedicar ao tema, Sattler é bem pragmático com relação à sustentabilidade de núcleos habitacionais ou cidades. “Não existem cidades sustentáveis, portanto, não há um referencial em todo o mundo”, diz o professor.
Para ele, o grande desafio é pensar em todas as partes relacionadas à construção de uma cidade de forma sistêmica, englobando aspectos econômicos e sociais juntamente com aspectos mais “práticos” como a distância dos alimentos, o tratamento de resíduos, aquecimento, aproveitamento ou reaproveitamento das águas, materiais reciclados e recicláveis etc.
“Nos Estados Unidos, o alimento, por exemplo, circula, em média, por 1.200 milhas para chegar à mesa do americano. É inconcebível o dispêndio de tanta energia para transportar alimentos”, avalia.
Ele imagina um núcleo urbano que disponibilize áreas para a produção agrícola (“uma cidade entre dedos verdes”), que produza sua energia a partir de gás metano produzido pelo tratamento dos esgotos e do lixo da própria comunidade e por aí vai... “Não existem resíduos, existem recursos mal aproveitados”, ensina o professor.
“Planejamento de logo prazo não é o forte de políticos em qualquer lugar do mundo e, especialmente, no Brasil”, sentencia André Trigueiro. Em sua opinião, talvez isto explique porque não existem referências de cidades sustentáveis. O jornalista avalia que os governantes brasileiros não atacam qualquer problema que não possa ser resolvido no período de quatro anos.
Trigueiro acredita, além do mais, que cidade não é uma ciência exata e que, portanto, está sujeita a dinâmicas muito peculiares. “O conceito de cidade sustentável, entretanto, serve de norte magnético apontando para soluções que possam reverter este processo altamente degenerativo”."

Dez dicas para ser sustentável sem ser mala

Como estamos?

"Eco sim chato não
Texto Aryane Cararo disponível em http://super.abril.com.br/superarquivo/2007/conteudo_556038.shtml

1. USE MÓVEIS DE MADEIRA
Sim, optar por móveis de madeira é uma atitude sustentável. Árvores, para crescer, transformam o carbono da atmosfera em madeira. Por isso, cerca de metade do peso da madeira é de átomos de carbono – os mesmos que poderiam estar no ar causando o efeito estufa. “O móvel de madeira mantém o carbono que iria para a atmosfera aprisionado por muito tempo, podendo ser usado por muitas gerações. Isso não acontece com os plásticos e o aço”, diz o pesquisador Márcio Nahuz, do Centro Tecnológico de Recursos Florestais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A quantidade de carbono que o seu guarda-roupa aprisiona depende do tipo de árvore e da densidade da madeira de que ele é feito. Prefira os móveis de pinus, eucalipto e paricá e evite as espécies escassas como pau-brasil, mogno, imbuia e jacarandá-paulista. E, claro, escolha madeira com certificação do Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (FSC Brasil ), que garante a procedência de árvores plantadas e derrubadas de maneira planejada. Outra vantagem é que a madeira é um lixo muito mais tolerável para o ambiente que outros materiais. “A madeira se decompõe e, assim, não cria um Frankenstein na natureza”, diz Nahuz. Plásticos, outros derivados de petróleo e demais materiais precisam de um processo de reciclagem (quando há) que pode consumir energia – e liberar mais carbono na atmosfera.


2. TAMPE A PANELA
Parece conselho de mãe para a comida não esfriar, mas a ciência explica como é possível ser um cidadão ecossustentável adotando o simples hábito de tampar a panela enquanto esquenta a água para o macarrão ou para o cafezinho. Segundo o físico Cláudio Furukawa, da USP, a cada minuto que a água ferve em uma panela sem tampa, cerca de 20 gramas do líquido evaporam. Com o vapor, vão embora 11 mil calorias. Como o poder de conferir calor do GLP, aquele gás utilizado no botijão de cozinha, é de 11 mil calorias por grama, será preciso 1 grama a mais de gás por minuto para aquecer a mesma quantidade de água. Isso pode não parecer nada para você ou para um botijão de 13 quilos, mas imagine o potencial de devastação que um cafezinho despretensioso e sem os devidos cuidados pode provocar em uma população como a do Brasil: 54,6 toneladas de gás desperdiçado por minuto de aquecimento da água, considerando que cada família brasileira faça um cafezinho por dia. Ou 4 200 botijões desperdiçados.

3. EVITE PLÁSTICO E VIDRO
No supermercado surge a dúvida: serei um cidadão mais sustentável se levar a bebida na embalagem de alumínio, de vidro ou de pet? O senso comum apostaria na latinha, já que ela é quase totalmente reciclada no Brasil. Alguém poderia contra-argumentar que ela gasta energia demais: a indústria do alumínio consome 6% da eletricidade do Brasil. Já a ciência diz que, se a intenção é só avaliar a forma mais ecológica de beber refrigerante ou cerveja, siga o senso comum. Esse é o conselho da engenheira química Renata Valt, autora do livro Ciclo de Vida de Embalagens para Bebidas no Brasil. Segundo ela, a lata leva vantagem hoje no Brasil justamente pelo alto índice de reciclagem (96% em 2005) frente ao vidro (45%) e ao pet (47%). Renata comparou a produção de 1 000 litros de refrigerante para cada embalagem, somou a porcentagem de reciclagem e de matéria-prima e concluiu: o alumínio é o que menos consome energia, água e recursos naturais, tem a menor emissão de poluentes e gera menos resíduos sólidos. É de espantar que o vidro, cuja garrafa é reutilizada de 20 a 30 vezes em média, não seja o mais ecológico. Mas é exatamente por causa das idas e vindas no transporte, e sua queima de combustível, que ele perde pontos. “O vidro só é melhor se considerarmos que seus recursos são mais renováveis que o petróleo do pet e a bauxita do alumínio. Se a indústria usasse combustíveis mais limpos, a avaliação melhoraria”, diz Renata. Ainda que vivêssemos em um mundo ideal, com 100% de reciclagem, o alumínio teria suas vantagens, pois gastaria menos recursos naturais e emitiria menos poluentes. O pet seria mais econômico na energia, na água e na produção de lixo. Por outro lado, sem reciclagem, a latinha seria o terror do consumo energético, dos recursos naturais e da emissão de gases.

4. TOME BANHO PELA MANHÃ
A dica é velha: evite consumir energia elétrica no horário de pico. Mas está mais atual do que nunca. A limitação das usinas e a escassez de água, motor propulsor das hidrelétricas, deixam sempre possível haver um apagão. O Brasil produz, normalmente, 75 mil megawatts de energia elétrica. A quantidade é suficiente para o consumo habitual, mas não para os picos – momentos como o intervalo do futebol, quando milhões de brasileiros abrem a geladeira para pegar uma cerveja, ou às 19h30, quando a maioria liga o chuveiro. Quando as 158 hidrelétricas não dão conta da demanda, o país é obrigado a acionar as usinas termoelétricas, que usam como combustível gás natural, carvão, xisto ou óleo diesel e lançam muito mais dióxido de carbono na atmosfera. Com todos os tipos de usinas ligados, a capacidade de fornecimento sobe para 100 mil megawatts. Já que é impossível armazenar energia em grande quantidade, qualquer consumo superior a isso obrigaria à construção de mais usinas e linhas de transmissão. Imagine se os 186 milhões de brasileiros decidissem tomar banho em chuveiros elétricos às 19h30. Como cada chuveiro gasta cerca 1 kWh em 11 minutos de banho, o país precisaria de quase duas vezes mais usinas para não apagar. Para espantar esse risco, basta variar o horário do banho. Se você ligar o chuveiro fora dos horários de pico, como pela manhã, ajuda a diminur a necessidade de construção de mais usinas para atender a um consumo pontual.

5. PAGUE SUAS CONTAS ONLINE
Aqueles papéis bancários que você recebe toda vez que paga suas contas significam mais emissões de poluentes, gás metano nos lixões e água desperdiçada. Essa é a conclusão de um relatório da empresa de consultoria americana Javelin Strategy and Research sobre o que representam os extratos, comprovantes de pagamento e cheques nos EUA. Segundo o estudo, lançado em junho, se todos os americanos abolissem o papel de suas transações bancárias, 2,3 milhões de toneladas de madeira seriam poupadas por ano – ou cerca de 16 milhões de árvores. Ok, consumo de madeira não é ruim para o aquecimento global, já que madeira e papel são pequenos depósitos de moléculas de carbono. O problema é que, para fazer papel, é preciso muita energia e poluição. A produção dos comprovantes nos EUA gasta a energia suficiente para abastecer, durante o ano inteiro, uma cidade do porte de Campinas (SP). Se tanto papel não existisse, a emissão de carbono também diminuiria, no equivalente a 355 mil carros a menos nas estradas americanas. No Brasil, a maior empresa de bobinas do país abasteceu, em 2006, 4 grandes bancos com 6 mil toneladas de papéis para caixas eletrônicos.

6. DESLIGUE O FOGÃO
Em vez de usar sempre o fogão ou o microondas, opte por uma resistência elétrica para aquecer líquidos. Pode ser o popular rabo-quente ou as modernas chaleiras elétricas. Segundo o físico Cláudio Furukawa, da USP, o rabo-quente é o mais eficiente quando a opção é pelo menor uso de energia. Como quase 90% da energia brasileira vem das hidrelétricas, que poluem muito pouco, é melhor para o ambiente usar aparelhos elétricos que movidos a gás, como o fogão. Pensando assim, o microondas levaria vantagem sobre o fogão a gás, pois causaria menos danos ao ambiente. O problema é que ele tem pouco rendimento, pois redireciona parte da eletricidade para o motor que gira o prato, a lâmpada e a ventoinha. “Além disso, as microondas ficam espalhadas por toda a cavidade e não se concentram apenas no alimento. No caso dele, a eficiência de conversão em calor não passa dos 40%”, afirma o físico Cláudio Furukawa.

7. USE A ÁGUA DA LAVADORA DE ROUPAS PARA REGAR O GRAMADO
Em vez de gastar água da torneira para regar as plantas, use a que sai da máquina de lavar. A água dos últimos enxágües da lavadora é muito boa para plantas. “A partir do 2º ciclo, a concentração da maioria dos sais está numa faixa que traz benefícios às plantas, principalmente aos gramados”, afirma Gilberto Kerbauy, professor de botânica do Instituto de Biociências da USP. Gilberto analisou os resultados na tese de doutorado da engenheira civil Simone May, também da USP. Simone quantificou itens como acidez, sais, metais pesados e coliformes para 3 enxágües da máquina, a partir da lavagem de roupas de uma família típica. “O 1º enxágüe é muito sujo, equivalente à água resultante de um banho no chuveiro”, diz ela. A quantidade de coliformes fecais no 1º ciclo era de 44 mil em cada 100 mililitros – em piscinas, por exemplo, acima de 1 mil/ml a água é considerada imprópria. Mas, nos enxágües seguintes, a concentração baixa a níveis normais. “A partir do 2º enxágüe, a água poder ser reaproveitada para regas de plantas ornamentais. Os valores de pH estão na faixa tolerável para a maioria das plantas (7,9 e 7,1)”, diz Kerbauy. “Eventualmente, a concentração de sódio poderia ser prejudicial a algumas espécies. E o uso para regar hortas deve ser evitado.”

8. PREFIRA ALIMENTOS LOCAIS
Comprar alimentos produzidos na região próxima de onde você mora faz bem aos pulmões. O segredo está na redução da distância: com caminhões rodando pouco, há menos poluição. Além disso, o desperdício é muito menor – e as frutas não precisam ser colhidas ainda verdes. De acordo com Celso Moretti, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil desperdiça no trajeto do campo à mesa 14 milhões de toneladas de hortaliças, grãos e frutas por ano. O transporte, que submete frutas a uma temperatura de 42 oC embaixo das lonas, é o maior vilão do desperdício de alimentos. Alimentos de longe também aumentam o aquecimento global. O pesquisador Márcio Nahuz e sua equipe do Instituto de Pesquisas Tecnológicas fizeram as contas do gás carbônico emitido por um caminhão a diesel (Mercedes 1620, com 231 cavalos) no transporte de melões de Mossoró, no Rio Grande do Norte, até a capital paulista (uma distância de 2 783 quilômetros). Considerando apenas o consumo de combustível, a carga teria custado 1 570,95 quilos de dióxido de carbono a mais na atmosfera. Ou o trabalho de 3 árvores adultas de 16 metros de altura e 0,28 metro de diâmetro no seqüestro de carbono. “O problema é que, para neutralizar as emissões da viagem, esse motorista deveria ter plantado as árvores 20 anos antes”, diz Nahuz. O mesmo problema acontece com maçãs que viajam de Vacaria (RS) até São Paulo, nas mesmas condições de transporte. Emitem 488 quilos de dióxido de carbono nos 865 quilômetros de viagem. Até mesmo a cenoura, facilmente cultivada nos cinturões verdes dos municípios, pode ter alta quilometragem – do pólo de São Gotardo (MG) à capital paulista vão sendo distribuídos nos 655 quilômetros quase 370 quilos de gás causador do efeito estufa. “É muito difícil não ter esse custo ambiental, já que não dá para produzir nas capitais as mesmas frutas de regiões distantes”, diz Nahuz. Uma saída é aproveitar as frutas e verduras da época – que podem ser produzidas tranqüilamente perto das grandes cidades.

9. PINTE O TELHADO DE BRANCO
Se você viu o filme Uma Verdade Inconveniente, do Prêmio Nobel da Paz Al Gore, sabe que a cor branca dos pólos reflete de 80 a 90% da luz solar. Quando derretem, acabam com o mesmo índice de reflexão do oceano: 8%, em média. Ou seja: quanto mais os pólos derretem, mais eles próprios contribuem para o aquecimento global. Aplicando a mesma teoria, é possível traçar um paralelo para a realidade de sua casa. Já que não dá para trazer a neve para casa, por que não a cor branca? Pintar telhados e paredes de branco pode fazer com que até 90% da luz incidente seja refletida, já que a tinta dessa tonalidade rebate de 50 a 90% dos raios solares. Enquanto isso, a tinta vermelha ou marrom só reflete de 20 a 35% e as cores laranja e cinza ficam na média dos 50 e 30% respectivamente. No mínimo, você ganha em conforto térmico e usa menos ar-condicionado. “O branco refletivo ou o aluminizado refletem 90% da radiação solar. Com as superfícies externas da casa pintadas de branco, menos calor penetra na casa. E a temperatura interna pode variar até 5 oC”, diz Racine Prado, professor de física das construções da USP.

10. TOME ÁGUA DA TORNEIRA
Esqueça a água mineral. A água que sai da torneira da maioria das cidades brasileiras é potável – tratada para que você possa bebê-la numa boa. Gastar dinheiro com água de garrafa é supérfluo e agressivo ao planeta. Além de mais cara, produz milhões de garrafas como lixo e precisa ser transportada em caminhões poluentes. Se não recicladas, as garrafas pet demoram 110 anos para se degradar. Além disso, o processo para transformar resina em garrafas e o transporte até a sua casa consomem combustível e geram poluição. Cada 1 000 garrafas de meio litro de água gastam 600 kWh de energia, liberam 6 quilos de carbono e geram 35 quilos de lixo no planeta. Por isso, várias cidades da Califórnia, nos EUA, estão adotando leis para restringir a água mineral em empresas e escolas. “Do ponto de vista bacteriológico, a água da torneira é segura, não precisa nem ser filtrada”, diz Paulo Olzon, clínico geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Quem prefere ter mais segurança e optar pela água mineral, deve evitar embalagens descartáveis.”
Ciclo de Vida de Embalagens para Bebidas no Brasil
Renata Valt, Thesaurus, 2005."